Posts de Junho, 2008

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OBESIDADE E EMAGRECIMENTO – perguntas e respostas

Junho 20, 2008

DR HENRI FERNANDO BISCHOFF

Anestesiologista – CREMESC 6284 – CREMERS 18265

Professor do Curso de Pós- Graduação em Medicina Estética  pela UIME – Porto Alegre – RS

Mestrando em Educação – CAPES 2006

1) Necessito realizar uma cirurgia plástica, mas, como sou obeso (a) meu cirurgião me recomendou realizar um emagrecimento prévio para diminuir meus riscos cirúrgicos e melhorar o resultado de minha cirurgia. Que riscos são esses?

A obesidade é uma doença definida pela Organização Mundial de Saúde – OMS como o acúmulo excessivo de gordura (tecido adiposo) no indivíduo. Sendo doença, necessita tratamento médico. Todo paciente obeso que necessite realizar uma cirurgia eletiva (não urgente) deve realizar emagrecimento prévio para minimizar seus riscos cirúrgicos.

O paciente obeso possui mais gordura em seu pescoço, o que dificulta o momento da entubação oro – traqueal ou naso-traqueal para a realização da anestesia geral, pela pouca flexibilidade da cabeça no momento da mesma. Esses pacientes, em geral, são mais roncadores e isso diminui a oxigenação sangüínea na sala de recuperação provocando maior risco de hipertensão arterial e, até mesmo, infarto do miocárdio. A chance de problemas respiratórios pós-operatório é maior nos pacientes obesos. Pelo peso da gordura no tórax, o pulmão ventila menos ocasionando atelectasias, que são zonas de pulmão murchas, não ventiladas e que se colabam, grudando umas nas outras aumentando o risco de acúmulo de secreções que podem ocasionar infecção pulmonar (pneumonia) pós-operatória hospitalar de difícil controle.

Muitos pacientes obesos têm seus pulmões comprimidos pelo excesso de peso (Síndrome de Pick-Wick) e respiram com maior dificuldade mesmo na sua vida cotidiana e, obviamente, têm mais complicações cirúrgicas do que aqueles que respiram normalmente.

A hipertensão arterial, outro problema agravado pela obesidade, deve ser monitorizada em todo o trans-operatório e pós-operatório pelo anestesiologista. Com pressão alta, o paciente obeso sangra mais durante o ato cirúrgico, o que dificulta o trabalho do cirurgião e, também, pode aumentar o risco de complicações cardíacas e renais durante o ato cirúrgico. Com a diminuição do peso pré-operatório, a grande maioria dos pacientes estabiliza seus níveis pressóricos e realizam sua cirurgia de maneira tranqüila sem intercorrências.

A diabete tipo II é outra doença associada à obesidade. O paciente obeso e diabético representa um problema bastante sério para o anestesiologista. Esse paciente possui risco maior de infecção hospitalar pós-operatória, de cicatrização demorada da ferida operatória com aumento do número de deiscências (abertura dos pontos) e de morte súbita. O manejo pré-operatório do peso do paciente diabético através do emagrecimento reduz, drasticamente, a chance de complicações por diabete tipo II.

A associação dessas 3 patologias (obesidade, hipertensão e diabete) em um único paciente é chamada de Síndrome Metabólica e produz altíssimo risco coronariano de infarto do miocárdio ou AVC- acidente vascular cerebral (derrame).

Ficar deitado por um tempo maior do que o habitual (decúbito prolongado) é complicado para os obesos que necessitam operar-se. Esses pacientes, por suas características, têm um retorno venoso do sangue até o coração dificultado pelo excesso de peso, com isso, o paciente que necessita ficar deitado na cama para realizar cirurgia apresenta maior risco de trombose venosa profunda com formação de êmbolos (coágulos sangüíneos). Esses coágulos se desprendem das pernas passando pelo coração até chegar aos pulmões, entupindo uma das artérias pulmonares ocasionando a temida embolia pulmonar que, se for muito extensa, pode provocar morte súbita.

Outra dificuldade para os obesos e que muitas vezes é esquecida, é o fato de o paciente obeso apresentar maior dificuldade para venóclise (pegar veia) para instalação de soro endovenoso. Se não for possível o acesso a uma veia periférica, o anestesiologista necessita puncionar uma veia central e instalar um equipamento chamado intra-cat que perfunde o soro diretamente no coração. A instalação de um cateter central tem maior risco de provocar infecção do que um cateter periférico.

Por fim, vale ainda lembrar que, todo paciente obeso que não necessite realizar anestesia geral possui uma dificuldade maior para realizar anestesias loco – regionais como a raquianestesia ou a anestesia peridural. Esses pacientes, por apresentarem muita gordura nas costas possuem um espaço intervertebral mais reduzido dificultando a passagem da agulha ou do cateter.

2) Ok! Emagrecendo eu diminuo meus riscos cirúrgicos, mas quais são os benefícios para o resultado de minha cirurgia plástica?

Emagrecer melhora muito os resultados de uma cirurgia plástica. As pacientes que irão realizar cirurgia dos seios, como redução de mamas ou implante de prótese de silicone define, após o emagrecimento, o tamanho real e possível que pode ser atingido pelo paciente magro, restando ao cirurgião diminuir ou aumentar, conforme o caso, o tamanho da mama desaparecendo o risco de ficar maior ou menor do que o previsto devido ao peso excessivo.

Para os pacientes que irão realizar lipoaspiração é o mesmo caso: o emagrecimento melhora muito a redução das gorduras localizadas restando somente gordura que realmente está em excesso naquela região específica. Por exemplo, se a cirurgia a ser realizada é lipoaspiração de culotes: a redução de peso prévio à cirurgia definirá a exata gordura em excesso que o/a paciente possui naquela região após emagrecer. Após ser lipoaspirada a região do culote, esse paciente pode ter certeza que eliminou completamente a sua gordura. O contrário ocorre com o paciente obeso: o culote, após ser lipoaspirado, sofre o risco de ainda possuir gordura em excesso que não pôde ser eliminada pelo cirurgião para que se conservasse a harmonia do formato anatômico.

Outra vantagem que a paciente ganha emagrecendo antes de uma cirurgia plástica é em sua recuperação: a paciente magra forma menos seromas (acúmulo de líquido sero-sanguinolento na região operatória) necessitando menos sessões de drenagem linfática. Sua recuperação e cicatrização ocorrem de forma mais rápida.

Pacientes que irão realizar qualquer tipo de cirurgia plástica ou de outra especialidade têm muito mais benefícios com o emagrecimento do que possíveis riscos.

3) Você falou em riscos possíveis no emagrecimento pré-operatório. Quais são?

Os riscos que um paciente pode sofrer ao realizar emagrecimento pré-operatório são muito pequenos se realizados por profissionais especializados. Todo o tratamento é monitorado com exames físicos e de laboratório, que controlam todas as alterações metabólicas desse paciente. Através dessa prática evitamos anemias carenciais por falta de vitaminas, distúrbios hidroeletrolíticos como diminuição dos sais minerais, distúrbios renais, diabetes, hipertensão, etc. Essas alterações citadas são possíveis quando não há um acompanhamento médico adequado, o que, infelizmente, ainda existe em nosso meio por falta de esclarecimentos aos pacientes.

4) Que profissional devo procurar para realizar meu emagrecimento pré-operatório?

Pacientes que irão realizar emagrecimento pré-operatório sempre deverão ser acompanhados por médicos habituados com a prática. O endocrinologista é o profissional mais adequado a realizar o acompanhamento e o tratamento desse paciente em todo o percurso da doença. O médico anestesiologista também cumpre papel importante no acompanhamento desse paciente, uma vez que será responsável pela vida do paciente durante o ato cirúrgico. O mesmo deverá informar ao paciente todos os seus riscos cirúrgicos e avaliar seu estado de saúde com exames físicos e laboratoriais. Na presença de alterações metabólicas como a obesidade, o anestesiologista poderá colaborar com o endocrinologista no manejo metabólico pré-operatório com vistas ao emagrecimento desse paciente. Por fim, o médico psiquiatra também cumpre papel fundamental no manejo dos distúrbios alimentares compulsivos como bulimia ou anorexia nervosa, que podem ser controlados com drogas antidepressivas que auxiliam na ingestão excessiva (bulimia) ou diminuída de alimentos (anorexia nervosa). Complementarmente e de maneira multidisciplinar, o paciente obeso deverá ser acompanhado por nutricionista especializado na área cirúrgica, fisioterapeuta, esteticista e personal-trainer com título superior na área.

5) Depois de realizar a cirurgia o que devo fazer para não voltar a engordar?

A obesidade é uma doença insidiosa, lenta e progressiva. A manutenção do peso perdido deve ser uma preocupação e um cuidado constante por parte do paciente para que a obesidade não retorne. Acompanhamento médico profissional deve ser realizado por, no mínimo, 2 anos após a cirurgia, pois o organismo necessita de bastante tempo para assimilar as alterações de metabolismo e do peso que queremos manter. Manter um metabolismo ativado e dieta constante não é tarefa fácil. Dificilmente o paciente consegue realizar sozinho. Muitos pacientes necessitam utilizar medicação para estabilizar o peso, seja através de ativadores de metabolismo, ou redutores da ansiedade, para controle do comer compulsivo e, ainda, outros pacientes necessitam sacietógenos (indutores da saciedade) por um tempo mais prolongado.

Por todas essas razões, o paciente deverá sempre manter-se em acompanhamento realizado por médico habituado com essa prática.

6) Tenho medo de tomar medicação para emagrecer. Elas podem me prejudicar?

A utilização de medicação para emagrecer é motivo de controvérsia entre os médicos, os pacientes e a sociedade. Muitas dessas medicações foram desenvolvidas para utilização por curto período de tempo não levando em conta que a obesidade é doença crônica e necessita tratamento a longo prazo de estabilização de peso. Outro motivo oculto é a pressão da indústria farmacêutica sobre os meios de comunicação e os órgãos governamentais reguladores desse tipo de medicação com clara intenção de denunciar somente os aspectos negativos das medicações mais antigas, para que se forme um verdadeiro pavor social aos anorexígenos, favorecendo a idéia de utilizar-se as medicações mais modernas e mais onerosas.

Isso gera um custo social grave, uma vez que, por razões financeiras, a maioria dos pacientes não tem acesso a esse tipo de medicamento e continuam obesos ou abandonam o tratamento, o que possibilita o aparecimento das temíveis complicações dessa doença e seus custos sobre o SUS – Sistema Único de Saúde.

Para utilizarmos medicações devemos, primeiro, tentar o uso de dieta balanceada e realização de exercícios físicos. Somente após a falha desse tipo de tratamento que devemos pensar na possibilidade de utilização de medicamentos. Para pacientes que apresentam Índice de Massa Corporal-IMC (divisão do peso sobre o quadrado da altura) maior do que 30 a utilização de medicação é quase que obrigatória.

Toda medicação possui efeitos colaterais, mas esses são mais comuns quando o paciente não segue as orientações médicas ou abusa da mesma. Um exemplo típico de aparecimento de efeitos colaterais que podem ser evitados é aquele que, por desejo de resultados rápidos, o paciente toma a medicação e não realiza o regime alimentar associado à medicação. Sem alimentar-se e tomando medicação, esse paciente pode sentir-se muito mal podendo, até mesmo, desmaiar ou morrer.

7) Paciente A -Eu como muito pouco e, mesmo assim, tenho excesso de peso. Acordo pela manhã e não tomo o café-da-manhã, almoço somente bife com salada e, à noite tomo café com pão preto. Porque não emagreço?

Paciente B – Eu não consigo me controlar na comida depois das 5 da tarde quando chego à casa do trabalho. O que está acontecendo comigo?

O maior inimigo do tratamento da obesidade é o fato do paciente “achar que sabe tudo”. Partindo do senso comum que “deve fechar a boca”, acaba por cometer erros. Ora, a obesidade é uma doença psico-metabólica e, sendo assim, ela acaba condicionando os hábitos alimentares do paciente. Sua característica principal é o “ataque de fome compulsiva” (binge-eating) após as 17 horas. Para que esse ataque seja perfeito ele necessita que o paciente ingira pouco carbohidrato antes do mesmo.

Como a grande maioria dos obesos não sente fome pela manhã, acabam não tomando um bom café-da-manhã acompanhado de carbohidratos, frutas e proteínas. Após 6 a 8 horas de sono o organismo necessita de calorias ao acordar.

Chegam ao almoço ainda sem fome, portanto e em geral, aproveitam para fazer dieta: carnes, frangos ou peixes com saladas. Percebe-se que, desde o horário de dormir até o almoço, esses pacientes não ingerem ou ingerem muito pouco carbohidrato, com isso seu metabolismo continua lento por todo o dia e, ao chegar à casa pela tardinha, a vítima está pronta para ser atacada pela fome intensa de carbohidratos.

Por essa razão o comportamento dessas pacientes impede o emagrecimento.

8) Sou obesa, mas não chego a ser obesa mórbida, por isso meu médico não me indicou cirurgia bariátrica para redução do volume de meu estômago. Já fiz todo os tipos de regimes possíveis e imagináveis, tomei fórmulas e todo tipo de medicações, já fui a grupos de obesos e já comprei todo tipo de chás e shakes que me ofereceram e, por fim, realizei cirurgia plástica do abdome e lipoaspirações, mas continuo obesa. Estou desanimada e sem esperança. Ainda possuo alguma chance?

Existe de fato essa realidade. O metabolismo torna-se tão lento e tão tolerante aos medicamentos que parece nada mais funcionar. Esses pacientes devem ser incentivados a não desistir. O excesso de peso já é tão grande e as complicações metabólicas tão graves que impedem o exercício. O que fazer? Dieta não funciona mais, o exercício é impossível, o corpo está resistente à medicações… A equipe médica dessa paciente, muitas vezes, também desanima ao ver essa paciente regressar novamente obesa.

O que devemos fazer, nessas ocasiões, é nos apegarmos a pequenas “brechas” que a doença permite, para que possamos atacá-la. Muitas vezes é o café-da-manhã com carbohidratos que não está sendo observado, em outras é a falta do almoço e, na grande maioria das vezes, o paciente está comendo pão ou derivados à noite. Troca o pão branco pelo pão preto e segue ingerindo o carbohidrato à noite sem dar-se conta que é isso que impede o emagrecimento. O paciente deverá ser muito honesto consigo nessa hora e impedir a ingesta de carbohidrato derivado das farinhas ou do açúcar, após o almoço.

Reforço psicológico, fisioterapia orientadora de exercícios próprios a esse paciente, equipe médica adequada, apoio nutricional e dietético, uso de medicações alternadas, e, principalmente: muito desejo sincero de emagrecer sem cometer “pecados”.

9) Realizo exercícios todo dia, caminho 1 hora por dia, observo rigorosamente minha dieta por mais de um ano e, só emagreci nos primeiros 2 meses de tratamento, após isso não perdi mais peso. O que aconteceu comigo?

Assim como o organismo obeso torna-se tolerante aos medicamentos, ele “acostuma-se” aos exercícios. Os músculos daquela região solicitada adaptam-se ao exercício e a queima calórica fica diminuída. A dica, nesse caso, é alternar o tipo de exercício. Se o obeso gosta de passar 1 hora na esteira ou andar em volta da praça, modifique o trajeto. Que inclua lombas, degraus e terrenos mais acidentados. Outra dica é passar a correr, andar de bicicleta e nadar. Se o paciente está na academia, modificar os aparelhos semanalmente e, principalmente, não aumentar os pesos para não hipertrofiar músculo e impedir a perda de peso. Ao invés de aumentar o peso do aparelho, ele deve aumentar o número de séries. Fazendo 3 séries de 50 exercícios em cada aparelho, certamente o emagrecimento ocorrerá.

10) Que tratamento realizarei para emagrecer? Quais são as estratégias a curto, médio e longo prazo?

O objetivo do tratamento a curto prazo é atingir o máximo de perda de peso com saúde possível para a realização da cirurgia plástica. Para esse intento realizamos uma avaliação rigorosa dos hábitos cotidianos e alimentares do paciente. Exames laboratoriais são pedidos pré, trans e pós-emagrecimento A vida social e emocional também é investigada para podermos lidar com esse paciente de forma abrangente e integral.

A estratégia de tratamento é saber lidar com o componente psíquico e o metabólico do paciente. Muitas vezes, encontramos somente um dos componentes presentes no paciente ou, geralmente, a associação de ambos (compulsão alimentar associado ao metabolismo lento).

O manejo psíquico do paciente procura encontrar indícios de compulsão alimentar para farináceos após as 17 horas e alguma característica do perfil psicológico do paciente obeso para sabermos classificar e manejar cada caso individualmente.

Quanto ao perfil psicológico do paciente obeso típico ou obeso em potencial , ao relatar ao médico sua rotina diária, inconscientemenete, relata um comportamento característico que se repete na grande maioria dos outros obesos.

1) Negação do próprio corpo

2) Racionalização do problema da obesidade

3) Projeção do problema da obesidade

4) Auto estima baixa

5) Carência afetiva

6) Vergonha

7) Exclusão de ambientes sociais

8) Ressentimento do passado

9) Raiva do presente

10) Medo do futuro

11) Fraca auto confiança

12) Desonestidade

13) Preguiça

14) Insegurança

15) Inveja

16) Auto piedade

17) Falta de perseverança no propósito

18) Imediatismo (resultados rápidos)

19) Extremismo (executa regimes maiores do que os propostos)

Medicações para o controle da ansiedade ou antidepressivos são prescritos conforme a necessidade ou não, nesses casos.

O manejo metabólico do paciente é desenvolvido através de dieta personalizada que enfoca a necessidade de interromper a ingesta de farináceos e doçuras após o almoço. Café-da-manhã balanceado, lanche da manhã, almoço completo com sobremesa e, após o almoço, interrupção da ingesta de pães, bolos, tortas, biscoitos, pastéis, salgadinhos, pizza, massas e alimentos que contenham açúcar de qualquer tipo. Um programa de exercícios orientado é oferecido ao paciente.

Em geral, com essas orientações e cuidados, o paciente consegue emagrecer. Para os casos que não o conseguem, ou que apresentem patologias graves ou IMC maior que 30, o uso de medicações anorexígenas, sacietógenas, ativadores do metabolismo, bloqueadores da absorção de gordura, ou que agem sobre os receptores cerebrais envolvidos na obesidade, serão indicadas segundo a necessidade maior do paciente ou tipo de zona afetada.

Os objetivos à médio e longo prazo, após a cirurgia, têm como alvo a manutenção e estabilização do peso. O organismo demora para se “acostumar” com o novo peso. Existe uma memória metabólica do peso inicial que tentará recuperar o peso perdido. Para que o paciente entenda melhor essa situação, para o organismo, a dieta e os novos hábitos diminuem a quantidade de alimentos ingerido e representam um sinal de perigo para o mesmo. Com isso, o corpo passa a economizar ao máximo as calorias ingeridas, daí a razão de, muitas vezes, o paciente emagrecer rápido nos 15 dias iniciais (3 a 5 quilos) e,depois, diminuir o ritmo da perda de peso.

A manutenção durante 2 anos ou mais, reeduca o organismo a esse novo estilo de vida e faz que o mesmo adapte-se ao novo hábito: “comer como um rei (ou rainha!) pela manhã, príncipe ao almoço e escravo ao anoitecer”. A memória metabólica vai se perdendo aos poucos e o paciente estabiliza seu peso.

11) Quantos dias deverei interromper a medicação antes da cirurgia? Quando deverei recomeçar o tratamento?

Se o paciente está fazendo uso de medicação deverá interrompê-la 7 dias antes da cirurgia e recomeçar 7 dias depois.

12) Quais são as causas da recaída da obesidade?

Após um período breve de tempo em emagrecimento o paciente obeso, agora magro, começa a viver uma nova realidade e, se não for trabalhada uma terapia comportamental, começa lentamente um processo de desânimo. Forças contrárias ao tratamento passam a ser valorizadas pelo paciente nessa fase. Exemplos disso são comentários negativos da família, pressão dos amigos, férias de verão, festas, mudança de domicílio, problemas emocionais que levem ao aumento da ansiedade como perda de familiares, concursos, casamento, divórcio,problemas financeiros, excesso de trabalho, etc. O paciente acha que pode se cuidar sozinho, mas, sem perceber começa a abandonar o médico, depois as caminhadas e por fim a própria dieta. Aquele período pequeno em que ele, sem tratamento, conseguiu manter seu peso, serve de justificativa para ele não retornar ao médico… e , assim, a recaída está instalada. Alguns meses depois, com o paciente novamente obeso, o sentimento de culpa, remorso, depressão voltam e o paciente inicia o processo novamente de querer emagrecer. Por vergonha, o mesmo, muitas vezes procura outro profissional para reiniciar seu tratamento.

13) Em quanto tempo antes da cirurgia deverei iniciar meu emagrecimento?

O ideal seria o paciente procurar o serviço de emagrecimento 6 meses antes da cirurgia, mas, muitas vezes, isso não ocorre. O que não pode acontecer é o paciente tomar a decisão de emagrecer em 30 dias e querer realizar a cirurgia plástica em seguida.

14) Quantos quilos perderei por mês?

A perda de peso é maior no início do tratamento (em geral, 4 a 6 quilos por mês) e vai diminuindo com o passar do tempo. Para emagrecer 30 quilos de um obeso, necessitamos, no mínimo 6 meses.

15) Tenho 14 anos e estou muito acima de meu peso ideal e sinto muita fome pela tarde e à noite. Tenho vergonha de meu corpo porque minhas amigas todas já estão sendo notadas pelos meninos e, para mim eles não olham. Tenho vontade de fazer uma plástica e tirar toda essa gordura, mas meu médico não concorda com minha idéia. O que devo fazer?

A obesidade infanto-juvenil está crescendo a cada dia em nosso meio. Crianças e adolescentes têm crescido nos últimos 20 anos, porém também têm ganhado peso, o que está nos assemelhando em obesidade aos americanos. Se a tendência continuar, a esperança de vida das próximas gerações diminuirá, segundo Antonio Carrascosa, chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Vall d’Hebron, de Barcelona. Estas conclusões foram obtidas após o Primeiro Estudo Transversal de Crescimento em 2008 na Espanha no qual foram medidos e pesados 34 500 crianças e adolescentes de todas as idades, desde o nascimento aos 20 anos.

Os adolescentes cresceram, em média, 3 centímetros na Europa. Porém, ganharam peso e não de forma proporcional. Há 20 anos atrás o sobrepeso em crianças era na faixa de 3%, hoje esta cifra tem se multiplicado por 3 no caso das meninas e por sete no caso dos meninos.

O ganho de peso começa nos primeiros anos de vida, a partir dos 3 ou 4 anos. Quando chegam aos 14 anos, as adolescentes começam a se preocupar com sua imagem e passam a diminuir o ganho de peso em relação aos adolescentes do sexo masculino.

Entre as causas que favorecem a obesidade infanto-juvenil, os especialistas assinalam um aporte calórico excessivo-com alimentos que contém muitas calorias em pouco volume-e a tendência cada vez maior ao sedentarismo. Até os 3 anos de vida as crianças não param de mexer-se e ao existir sobrepeso nessa idade se pode atribuir ao comer em excesso. Porém, depois dessa idade, o ócio dos maiores facilita o sedentarismo.

As crianças prematuras, a partir de 26 a 27 semanas, ou os que nascem com baixo peso, têm maior risco de desenvolver obesidade na vida adulta, pois a recuperação de peso rápida após o nascimento demanda uma sobrecarga para o metabolismo da criança e, com o crescimento dessa criança, está relacionado o aparecimento de síndrome metabólica na vida adulta, ou seja, obesidade, diabete e hipertensão.

A obesidade infanto-juvenil é, a cada dia mais freqüente, motivo de consulta e produz complicações tanto médicas como psicológicas nos afetados por essa moléstia. Se não é realizada nenhum tipo de intervenção, esses pacientes têm um risco duas vezes maior de seguir obesos na vida adulta.

Na manutenção da obesidade interferem tanto fatores genéticos como ambientais. Nestes últimos, destaca-se o número de horas que as crianças e os jovens passam em frente ao televisor, que está em relação direta com o risco de obesidade, especialmente nos adolescentes. A televisão anuncia alimentos com alto conteúdo calórico e, em geral, os personagens que aparecem mostram hábitos alimentares inadequados. Ademais, frente à telinha se aumenta a possibilidade de “beliscar” alimentos e se reduz o tempo dedicado às atividades ao ar livre.

O exercício, não somente gasta parte da energia ingerida e ajuda a manter um balanço calórico correto, mas também previne o aparecimento de transtornos vasculares e diabete, porque melhora o efeito regulador da insulina e diminui a lipogênese (aumento da gordura). Outros fatores ambientais implicados no excesso de peso é o tipo de estrutura familiar e o excesso de alimentação durante o período pré-natal e de lactação.

Se a tendência de aumento de peso que está se produzindo nos países desenvolvidos não se inverter, poderá ocorrer um paradoxo: a esperança de vida das novas gerações será, pela primeira vez, menor do que seus progenitores. Nossa espécie sempre viveu em condições de penúria de alimentos e nossos genes estão adaptados para retirar o máximo dos alimentos devido a essa carência. Porém, desde a metade do século passado, a carência de alimentos desapareceu para a maioria da população aparecendo um excesso de alimentos, e, por isso, a obesidade vêm aumentando.

Além de prejudicar a saúde a longo prazo, a obesidade infanto-juvenil provoca alterações do desenvolvimento puberal: puberdade precoce, pseudohipogenitalismo (aspecto de pênis pequeno devido ao excesso de gordura na região) e ginecomastia (mamas aumentadas nos meninos). Problemas dermatológicos como estrias, infecções por fungos, dispnéia (falta de ar) de esforço durante o exercício físico moderado e patologias nos ossos e articulações (pés planos e escolioses).

16) Que tratamento existe para a obesidade infanto-juvenil?

O tratamento da obesidade infanto-juvenil, como no caso dos adultos, é um dos problemas mais difíceis e frustantes para o pediatra, pois cerca de 90%¨das crianças que perdem peso tornam a recuperá-lo. Não obstante, com uma perda de peso moderada, pode-se conseguir uma notável diminuição dos transtornos associados à obesidade, a mesma já é considerada a epidemia deste século, assim como uma enfermidade difícil de tratar.

Para complicar mais ainda, a dieta para perder peso pode ter efeitos secundários importantes na criança ou no adolescente, como diminuição do crescimento, se o aporte calórico não for adequado. Não podemos também esquecer os efeitos psicológicos, porque um regime muito agressivo pode contribuir à piora da auto-estima ou provocar depressão. E, nas jovens pré-dispostas, pode ser o gatilho, pelo qual os transtornos alimentares como a bulimia ou a anorexia nervosa se iniciam.

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OS ASPECTOS PSICOLOGICOS DA OBESIDADE

Junho 14, 2008

OS ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA OBESIDADE





DR HENRI FERNANDO BISCHOFF

Anestesiologista – CREMESC 6284 – CREMERS 18265

Professor do Curso de Pós- Graduação em Medicina Estética pela UIME – Porto Alegre – RS

Mestrando em Educação – CAPES 2006




A obesidade é uma doença reconhecida pela OMS – Organização Mundial de Saúde - caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido gorduroso no indivíduo.

Variados métodos são utilizados para diagnosticar, classificar, estabelecer tratamentos e prognósticos da obesidade. A maioria destes métodos está baseada em critérios científicos e fisiológicos estabelecendo, na maioria das vezes, um tratamento baseado em dados objetivos, desprezando os fatores subjetivos que possam interferir nesses resultados.

O presente trabalho tem por objetivo traçar o perfil psicológico do obeso, seu comportamento compulsivo e , a partir disto, interferir efetivamente no tratamento desta doença.

O PERFIL PSICOLÓGICO DO OBESO:



O obeso típico ou obeso em potencial relata ao médico sua rotina diária e, inconscientemenete, relata um comportamento característico que se repete na grande maioria dos outros obesos.

1) Negação do próprio corpo

2) Racionalização do problema da obesidade

3) Projeção do problema da obesidade

4) Auto estima baixa

5) Carência afetiva

6) Vergonha

7) Exclusão de ambientes sociais

8) Ressentimento do passado

9) Raiva do presente

10) Medo do futuro

11) Fraca auto confiança

12) Desonestidade

13) Preguiça

14) Insegurança

15) Inveja

16) Auto piedade

17) Falta de perseverança no propósito

18) Imediatismo (resultados rápidos)

19) Extremismo ( executa regimes maiores do que os propostos)

O paciente obeso não gosta de alimentar-se pela manhã ( e ainda considera isso uma virtude!), come pouco no almoço ( come carnes e verduras ), come pouco no trabalho e, no final da tarde e início da noite, ao chegar em casa , esse paciente desencadeia um processo compulsivo de ingesta de farináceos, doces, e outros alimentos que não caracterizam uma refeição equilibrada. Em geral esses pacientes se ocupam muito com os outros tentando ser bonzinhos , gerando mais ansiedade, auto piedade, estresse; culpando seus colegas e/ ou sua família pelo seu comer compulsivo. Os obesos são os mestres da auto justificação. Chegam no nosso consultório e dizem: “Doutor, não sei porque sou gorda… Eu não tomo café-da-manhã, almoço pouco e não janto!!! … O que posso fazer doutor? “

Esse processo compulsivo parece obedecer um ritmo auto determinado de acometer o paciente no período entre 16 às 21 horas em seu ambiente doméstico e não em ambientes do trabalho, estudo ou lazer. Observa-se, ainda, em pacientes do sexo feminino que esse processo compulsivo, preferencialmente, é seletivo, ou seja, o alimento não pode ser uma refeição única, mas sim, lanches e petiscos, pois isso alimenta ainda mais o comportamento compulsivo. Após essa “orgia alimentar” o paciente experimenta um prazer imediato e um remorso tardio. Sente-se culpado. Promete para si mesmo que no outro dia ele vai se controlar e, no outro dia repete tudo de novo… Mais culpa, mais auto estima baixa, mais ansiedade, mais compulsão. Círculo vicioso da auto obsessão compulsiva alimentar.

Na verdade, o paciente obeso não tem o conhecimento que o seu comportamento está determinado pela doença. Aquilo que ele acredita que é seu estilo de vida é repetido pela grande maioria da população obesa. Esse paciente está realizando diariamente o comportamento imposto pela doença compulsiva. Ao aprofundarmo-nos mais nesse determinismo pré-estabelecido constatamos, muitas vezes, que nosso paciente, ao nos pedir ajuda para emagrecer, está pedindo uma ajuda temporária, enquanto suas forças lhe permitem mudar de estilo de vida, até que o processo de recaída mine suas forças e ele passe a abandonar o tratamento paulatinamente. Parece que a “doença permite” a esse paciente, temporariamente, diminuir seus problemas relacionados à obesidade até que ele possa, novamente, voltar ao seu ato compulsivo de comer sem que isso lhe gere sentimento de culpa.

A Recaida:

Após um período breve de alguns meses em emagrecimento o paciente obeso, agora magro, começa a viver uma nova realidade e, se não for trabalhada uma terapia comportamental, começa lentamente um processo de desânimo. Forças contrárias ao tratamento passam a ser valorizadas pelo paciente nessa fase. Exemplos disso são comentários negativos da família, pressão dos amigos, férias de verão, festas, distância geográfica do médico, problemas financeiros, excesso de trabalho, etc. O paciente acha que pode se cuidar sozinho, mas, sem perceber começa a abandonar o médico, depois as caminhadas e por fim a própria dieta. Aquele período pequeno em que ele, sem tratamento, mantém seu peso serve de justificativa para ele não retornar ao médico… e , assim, a recaída está instalada. Alguns meses depois, com o paciente novamente obeso, o sentimento de culpa, remorso, depressão voltam e o paciente inicia o processo novamente de querer emagrecer.

Objetivos do Tratamento:

O principal objetivo do tratamento do paciente obeso é a aceitação do problema. Aceitar que o seu estilo de vida é que está lhe engordando. O paciente nega seu próprio corpo, não se aceita gordo e com isso, não aceita a sua realidade e passa a viver num mundo de sonhos, esperando uma solução mágica para seus problemas: Desde que essa solução não interfira no seu estilo de vida.Precisamos focalizar mais o controle da compulsão alimentar e o equilíbrio das vontades e necessidades do paciente do que somente emagrecer; caso contrário, ao emagrecer o paciente tem a sensação de objetivo cumprido e abandona o tratamento voltando a engordar.

É necessário informar ao paciente que a obesidade é uma doença lenta, progressiva e incurável, sendo imperativo um tratamento para a prevenção da recaída na etapa da manutencão do peso. O tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar composta por médico, psicólogo, enfermeiro, nutricionista, esteticista, assistente social e personal trainer. Um aspecto fundamental que deve ser enfatizado é a necessidade desse paciente participar de um grupo de mútua ajuda para obesos onde ele vai compartilhar suas experiências, forças e esperanças a fim de ajudar a si e a outros obesos a se libertarem das angústias do comer compulsivo . Esse enfoque de tratamento é chamado de “Compreensive Treatment Program”- Programa de Tratamento Abrangente, onde vários profissionais atuam no mesmo paciente com o mesmo objetivo.

O primeiro passo do tratamento é o desejo sincero do paciente de livrar-se do comer compulsivo, o que exige honestidade rigorosa, mente aberta e boa vontade .O obeso necessita aceitar que o seu modo de vida tem que ser modificado. O paciente deve ser estimulado a não fazer promessas irreais ( nunca mais irá engordar) e focalizar objetivos simples e atingi-los. “Não irei dar vazão à minha compulsão e irei me controlar somente hoje”.

Um plano simples e fá cil de ser atingido é o de estabelecer duas metas para hoje: caminhar e jantar. Caminhando hoje, mesmo sem vontade, o paciente começa a colocar o programa em prática. E, ao jantar, ao invés de lanchar o paciente realiza o ritual de sentar-se à mesa e fica com a sensação de não ter que pensar mais em comida ( o que não ocorre quando ele lancha). O ato de jantar influencia o paciente a não beliscar, e, assim, não dá vazão à compulsão.

Os pacientes que com mais facilidade se mantém magros são aqueles que perderam grandes quantidades de peso ( 20 kg ou mais), pois foram os que mais sofreram com as angústias da obesidade e observaram uma melhora do seu estilo de vida mais significativa. Os pacientes que perdem até 6 kg, aproximadamente, apresentam mais recaídas de comportamento, pois, estão ainda na fase inicial da doença e a negação do problema é maior. Suas vidas não foram afetadas de forma tão dramática pela obesidade como para os grandes obesos, não sofreram bastante a ponto de desejarem sinceramente mudar de vida.

Por fim, nós profissionais também temos que admitir a nossa impotência perante a obesidade e aceita-la como uma doença poderosa e passível apenas de controle, e não de cura. E, como esse controle depende principalmente do paciente, ao depararmo-nos com a recaída deste, nossa onipotência como médicos sofre e nos sentimos derrotados. Devido a isto, precisamos também de ajuda para lidarmos com essa doença e, desta forma, ajudarmos mais aquele paciente que volta ao nosso consultório novamente obeso.

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Implante de Fios de Ouro

Junho 9, 2008

IMPLANTE DE FIOS DE OURO

Prof. Dr . Henri F. Bischoff

Professor da Faculdade de Medicina UNESC – Santa Catarina

Professor dos Cursos de Pós- Graduação em Medicina Estética da SBME- regional sul

Pós Graduado em Medicina Estética pela U.I.M.E – Buenos Aires 1996.

Título Superior de Master em Medicina Estética pela Escola Espanhola de Medicina Estética – Barcelona 1998

Membro da equipe pioneira dos implantes de fios de ouro no Brasil

HISTÓRICO

A técnica de implantes de fios de ouro nos locais de flacidez cutânea ou preenchimento de rugas foi desenvolvida na França na década de 60 por Caux (1) o qual descreveu o emprego de fios de ouro associados a fio de mononylon para preenchimento de sulcos e sustentação facial . Na década de 80, Parisot e Haddad ( Paris – França) relatam a experiência com fios de cat-gut para preenchimento de sulcos do rosto.

Além do cat-gut, outros fios sintéticos foram utilizados na intenção de promover a sustentação da pele , porém o ouro foi o material considerado mais seguro , tanto pela pureza, densidade, cor e maleabilidade, quanto por ser um material inerte ( 2) . Orenes ( Espanha) foi o primeiro a relatar um estudo histopatológico dos fios de ouro implantados e observou uma reação granulomatóide ao redor do fio. ( 1 )

Em 1996, um brasileiro, Dr Wilson Rondó Jr, publica seu artigo no Plastic and Reconstructive Surgery : “ Histologic Study of the Skin with Gold Thread Implantation” . Neste trabalho o mesmo fez um estudo histológico dos fios de ouro implantados em 10 pacientes e demonstrou que os mesmos provocam um granuloma tuberculóide ao redor do fio com grande quantidade de fibras reticulares e ausência de células gigantes multinucleadas ( o que caracteriza ausência de reação a corpo estranho ) nem uma rejeição tecidual no lugar do implante. As fibras reticulares representam um tipo especial de fibras colágenas, as quais estão aumentadas em granulomas e nas feridas em processo de cicatrização . A medida que a resolução dos granulomas ou das feridas cicatrizam, as fibras reticulares são fundamentalmente substituídas por fibras colágenas . A presença do granuloma tuberculóide encontrado, rico em fibras de reticulina ao redor do fio de ouro, provocaria um aumento da sustentação e tensão da pele , pela formação de uma trama e de um conseqüente estímulo na produção de colágeno, melhorando a qualidade da própria pele. ( 2 ).

Em 1997, outro médico brasileiro, Dr Laércio Gómez Gonçalves publica seu trabalho com 566 casos de fios de ouro implantados , dos quais, 303 casos foram implantados para dermossustentação e 263 casos para preenchimento de rugas . Dos 303 casos de dermossustentação o autor dividiu-os em 4 grupos: fio de ouro isolado, fio de ouro com fio de seda associado, fio de ouro com fio de cat-gut e fio de ouro com fio poliglicólico. Na análise estatística não houve vantagens nos resultados em associar outros fios ao fio de ouro, pelo contrário, devido a reação de corpo estranho ao fio associado, a mesma retardou a retração dos fios de ouro, ou seja, pioraram os resultados, donde o autor concluiu que , para promover a dermosustentação, os fios de ouro devem ser utilizados isolados sem associação a outros materiais, motivo pelo qual são utilizados dessa forma até hoje. O mesmo realizou ainda uma análise histopatológica dos fios implantados e observou a ação benéfica do ouro sobre os fibrócitos dérmicos nas atividades de síntese de colágeno, assim como a atuação do ouro sobre a rede microfibrilar e glicosaminoglicanas modificando a elasticidade e turgência da derme . Essa ação do ouro sobre os elementos nutritivos da derme promovem a dermossustentação , a neovascularização e o rejuvenescimento da derme ( 3 ).

No mesmo ano de 1997 , Dr C. Auffret ( França) publica em seu trabalho que os fios de ouro , por serem fios extremamente finos ( 0,1 mm diâmetro) têm como indicação de preenchimento aquelas rugas que são bastante finas ( pés-de galinha e periorais) , pois a microestimulação das fibras reticulares estaria muito bem indicada nesses casos , e, qualquer outro fio mais grosseiro causaria um efeito inestético nessa região. O mesmo publica ainda que os fios de ouro são bem indicados para o tratamento do dorso das mãos, flacidez dos braços e face interna das coxas ( 4 ) .

INTRODUÇÃO

O efeito do sol , o passar dos anos, a dieta e o estilo de vida são fatores que contribuem para o envelhecimento da pele; situação inevitável, a qual pode ser amenizada por meios cirúrgicos ou não cirúrgicos através das diversas técnicas que têm se tornado muito comuns em nosso meio .

Atualmente, são conhecidas muitas opções destinadas a corrigir os efeitos do envelhecimento cutâneo, tais como o lifting cirúrgico tradicional ou laparoscópico, a utilização dos alfa ou beta hidroxiácidos, a aplicação de laser de CO2 (resurfacing) , ondas de radiofreqüência, aplicação de toxina botulínica, injeção de substâncias biocompatíveis, lipoffiling e dermossustentação com implantes de fios.

Esta explosão de procedimentos desafia a comunidade médica dedicada à investigação de procedimentos estéticos para que desenvolvam opções terapêuticas de vanguarda que sejam seguras, duradouras, de fácil aplicação e de menor custo; que diminuam, escondam ou detenham o passar dos anos de tal maneira que se possa recuperar a cútis vigorosa, oxigenada e nutrida que uma vez esteve em posição anatômica e esteticamente adequada.

Desta forma, almejando uma opção terapêutica diferente e acessível aos pacientes, foi desenvolvida uma nova técnica não cirúrgica diferente das já existentes para procedimentos de implantes de fios de ouro. Esta nova técnica visa uma maior cobertura da área facial e um maior entrecruzamento de fios, proporcionando uma maior produção de fibras reticulares de colágeno e uma maior nutrição da pele com um resultado estético mais duradouro e eficaz.

VANTAGENS

Apesar do tratamento cirúrgico para dermossustentação oferecer resultados consistentes e a longo prazo, este método exige que o paciente afaste-se de suas atividades habituais, razão pela qual os procedimentos simples e de fácil execução, como os implantes de fios, têm tido a preferência do público.

Outra vantagem ao lidarmos com o implante de fios de ouro é a sua segurança. Por ser um método mundialmente conhecido e aplicado há mais de 40 anos, encontramos farto material bibliográfico, incluindo-se o tempo de follow-up suficiente e necessário para atestar sua segurança: possíveis complicações encontram-se documentadas e, então, relatados seus respectivos tratamentos.

A técnica do implante de fios de ouro é simples. Os fios são implantados na subderme e ali são deixados para formar uma cápsula de retração cicatricial, portanto, não tracionam nada no momento do implante. O procedimento é realizado no consultório, sem a necessidade de auxiliares.

Os fios de ouro são melhor indicados para a prevenção do envelhecimento, quando passados em pacientes dos 30 aos 50 anos. Apesar de poderem ser indicados até a idade de 65 anos, apresentam resultados bastante inferiores. Como já foi dito, se prestam muito bem para associarmos com as mais diversas técnicas de rejuvenescimento: Peelings, preenchimentos, toxina botulínica, etc; não atrapalhando um lifting no futuro. Os pacientes devem ser alertados que os fios de ouro, por serem metálicos, são radiopacos, portanto aparecem ao Raio-X.

Conforme descrito na literatura ( 12) , os fios de ouro são bactericidas, portanto não provocam infecção . Em 492 casos implantados desde 1996 de fios de ouro isolados em nosso serviço não tivemos nenhum caso de infecção pós-implante e, como mantemos contato com a quase totalidade dos médicos que realizam a técnica no Brasil desde 1996, não nos foi comunicado nenhum caso de infecção por implantes de fios de ouro. Constatamos também uma melhora efetiva no controle do acne dos pacientes implantados , provavelmente pelo efeito bactericida e antiinflamatório do ouro.

DESVANTAGENS

Ao contrário dos fios de tração de polipropileno, os fios de ouro não produzem efeito imediato. É necessário aguardar 90 dias para observar-se o resultado. Os mesmos também não tracionam estruturas profundas tendo efeito apenas na derme, portanto, quando implantados em faces muito ptosadas os mesmos não conseguem tracionar músculos, ou quando implantados no mento, necessitam que se retire a gordura submentoniana através de uma cânula de lipoaspiração.

REAÇÕES ADVERSAS

Na literatura encontramos descritas reações adversas aos medicamentos a base de sais de ouro utilizados em Reumatologia , tais como: nefrose, toxicidade gastrointestinal ( diarréia, e dores abdominais) ( 5 ) , hematológicas ( neutropenia crônica ) ( 6 ) , problemas dermatológicos: dermatite de contato por sensibilização, reação liquenóide oral ( 7, 8, 9, 10) , nos pulmões: pneumonite por hipersensibilidade ( 11 ). Porém , totalmente diferente do material utilizado em Medicina Estética, o ouro que utilizamos é um material com 99,99 % de pureza , de 24 quilates, sólido e não na forma de sal. Convém salientar que nos trabalhos publicados com fios de ouro não foi encontrada nenhuma reação adversa tais como: processo inflamatório, infecção, ou qualquer reação alérgica ( rejeição) ou imunológica, certamente, pela qualidade do material. Bem como nos trabalhos publicados em Odontologia, nos quais se utiliza próteses com ouro, o mesmo se mostrou bactericida e também inócuo ao organismo, não determinando reação inflamatória na gengiva ( 12 , 13 ) .

APRESENTAÇÃO (fig. 1 )

v Fio de Ouro 24 quilates

v 99,99% pureza

v 0,1 mm de diâmetro

v 150 cm de comprimento

v Acompanhado de agulha reta de Keith de 7 cm

INDICAÇÕES

1. Flacidez de rosto

2. Flacidez de pescoço

3. Flacidez de braços

4. Flacidez de nádegas

5. Flacidez de Coxas

6. Flacidez de barriga

7. Rugas finas dos pés-de-galinha, rugas periorais verticais ( códigos de barra ) e preenchimento de dorso das mãos.

8. Acne * ( pelo seu efeito bactericida e antiinflamatório ).

CONTRA- INDICAÇÕES

1. Obesidade local exagerada

2. Flacidez local exagerada

3. Infecção no local do implante

4. Pacientes imunossuprimidos

5. Pacientes em uso de Retinóides sistêmicos

6. Pacientes com doenças do colágeno

7. Pacientes diabéticos descompensados

8. Pacientes psiquiátricos ( psicóticos, bipolares, depressivos, etc. )

9. Pacientes com expectativas irreais do procedimento.

MECANISMO DE AÇÃO

Os fios-de-ouro após implantados formam ao longo do trajeto do fio, um granuloma tuberculóide com grande quantidade de fibras reticulares. (figura 2 )

Após 15 dias de reação inflamatória, começa a ocorrer a retração fibrótica com encurtamento do granuloma e, conseqüente enovelamento sinuoso do fio implantado.

Após 90 dias há diminuição de 30% do comprimento do fio implantado com achados radiológicos que mostram que o fio apresenta-se sinuoso. ( 1, 2 ) – figura 3 e 4

marcação - técnica malha de rede “REMAILLAGE” -

Na face, tomamos, como referência, o sulco nasogeniano e a asa do nariz e marcamos um ponto ( A1 ) e o ponto 1 cm a frente do trágus da orelha (A). Após, são colocados 10 fios paralelos a esses pontos , 6 na região da face (A-A1, B-B1, C-C1, D-D1, E-E1, F-F1) e 4 na região cervical ( G-G1, H-H1, I-I1, J-J1 ) .

Colocamos mais 4 fios verticais para tratamento da flacidez do masseter tomando como referência o sulco nasogeniano ( 1o. Fio) e mais 3 fios paralelos a esse (X-X1, Y-Y1, Z-Z1) Fizemos o mesmo procedimento na outra hemiface e, na região mentoniana unimos as porções cervicais dos fios G1 com o G1 da outra hemiface , H1-H1, I1-I1 e J1-J1. Para , assim completarmos todas as duas hemifaces, região cervical e porção anterior submentoniana. Com isso, passamos 14 fios de cada lado do rosto, mais 4 submentonianos totalizando 20 fios faciais e 12 fios cervicais. Figuras 5 e 6 . A formação de uma malha de rede também chamada de “remaillage” é intensa utilizando-se esta técnica. Figura 12

- TÉCNICA DO PÁRA-QUEDAS INVERTIDO –

Esta foi a primeira técnica utilizada por muitos anos a qual consistia em utilizar apenas poucos fios em formato de triângulo, lembrando um pára-quedas , pois acreditava-se que os fios exteriorizando-se por um único orifício formariam um granuloma de ponta maior e mais denso, o que direcionaria o sentido de tração dos fios. Mais tarde, através de estudos radiográficos, observou-se que isso não influenciava o sentido da tração dos fios , pois estes, ao serem implantados retraíam-se de maneira concêntrica. Esta técnica, por utilizar poucos fios nos dá um resultado inferior que a primeira e, por isso não é mais utilizada em nosso serviço.

Na face, tomamos, como referência, o sulco nasogeniano e o ponto médio entre a implantação superior da orelha e o canto externo do olho. São colocados de 2 a 3 fios, dependendo da extensão da flacidez (não, do grau), dirigidos verticalmente, e mais um fio perpendicular e centralmente a estes, em cada lado da face .
No pescoço, as referências são a linha média cervical e o ponto situado a 1,5 cm inferior ao ângulo mandibular. Após a colocação dos fios, tem início a reação desejada: formar-se-á, ao longo de cada fio implantado, um tubo de fibras de elasticidade que ocasionarão a mobilização do tecido facial. Figuras 7 e 8 .

TÉCNICA

1. Marcação com caneta dérmica -

2. Assepsia da pele

3. Anestesia infiltrativa com fórmula de Klein ao longo do trajeto do implante Figuras 9 e 10

4. Agulhar o fio com a agulha de Keith

5. Proceder o implante ao nível subdérmico .A penetração se realiza de maneira perpendicular a pele e logo depois de perfurada se abaixa a agulha e tangencialmente a pele de maneira a seguir o trajeto subdérmico se aponta a agulha para o orifício de saída. A mão oposta realiza uma pinça da pele para permitir uma tunelização da agulha, ao mesmo tempo em que vai franzindo a pele para permitir que os 7 cm da agulha sejam suficientes para cobrir superfícies maiores que este comprimento. Quando a agulha vai se introduzindo toda na pele, repara-se a mesma com uma pinça Crille ao mesmo tempo em que se franze mais vigorosamente a pele para exteriorizar a agulha do outro lado da pele. Ao sair a agulha retira-se a mesma delicadamente para não arrebentar o fio e vai-se tracionando o fio até que o mesmo entre totalmente no orifício de entrada. Com a mão se franze novamente a pele para se formar um efeito “sanfona” na mesma, que permita, logo depois do corte da ponta do fio de ouro, ao se soltar a pele , uma entrada da ponta do fio no orifício de saída. Figura 11

6. Examinar atentamente os orifícios de entrada e saída dos fios. Pedir para o paciente gesticular para forçar a exteriorização dos fios.

7. Curativos com micropore nos pontos de entrada e saída.

8. Iniciar azitromicina 500 mg – 1x/ dia durante 3 dias

9. Iniciar A .I.N.E durante 3 dias

10. Creme para equimoses

Técnica de implante para braços e coxas

Para procedermos o implante em zonas mais longas como são os braços e coxas necessitamos de uma cânula semelhante àquelas usadas para implantes de fios de tração mas com diâmetro interno menor ( o grau de lesão é mínimo ) ou utilizamos uma pinça passa-fio de Graziosi utilizada em dermossustentação do SMAS. Os implantes de fios de ouro ao longo dos braços seguem o trajeto paralelo da fossa biciptal em direção ao tríceps, percorrendo 180 graus em torno do braço, desde a região axilar até o nível do cotovelo. Obtém-se grandes resultados com a associação de 3 a 4 fios de tração de polipropileno dispostos perpendicularmente ao sentido dos fios de ouro. Pede-se para o paciente fazer musculação de tríceps , pois os fios irão agir na pele e não na musculatura.

Nas coxas, dá-se preferência à face interna das coxas seguindo as linhas do trajeto linfático entrecruzando-se os fios para um maior remalhamento das fibras colágenas.

FLACIDEZ DE BARRIGA

São indicados para casos muito selecionados. Pacientes magras com flacidez de pele que não eram obesas. Pacientes com “ umbigo triste”, ou seja, umbigo ptosado podem obter vantagens com os fios de ouro quando implantados de maneira centrífuga ao umbigo com 2 a 3 fios circulando o umbigo.

PREENCHIMENTOS

Os fios de ouro são muito utilizados pelo médico francês Dr Auffret ( 4 ) o qual o utiliza para estimular a formação de colágeno nas rugas finas dos pés – de- galinha e rugas em código de barra em torno dos lábios. Utiliza ainda como estimulante de colágeno naquelas mãos senis de pele finíssima, sem colágeno algum, com atrofia da musculatura intermetacarpiana, com bons resultados. Em nosso serviço, utilizamos os fios de ouro para preenchimento de rugas periorais em código de barra de 1º grau as quais, se submetidas a técnicas de preenchimento, notaríamos um relevo inadequado. Interessante, também, é o efeito de utilizar o fio-de-ouro naquelas pacientes que têm medo de preencher seus lábios com outros materiais e que não queiram ficar com seus lábios muito proeminentes. Descreve-se a técnica a seguir:

Preenchimento de lábios:

- Agulhar o fio a ser passado no vermilhão duplo ( 2 fios na mesma agulha )

- Proceder primeiramente um descolamente do vermilhão antes de passar o fio.

- Implantar o fio duplo no vermilhão passando-o totalmente de lado –a –lado cruzando a linha média.

- curativo

Rugas em código de barras: Figura 13

- Passar 2 fios simples ao longo de todo o trajeto das ruguinhas em código de barra

- Curativo

DICAS

como os fios de ouro necessitam 3 meses para agirem e mostrarem seus resultados, costumamos realizar tratamentos complementares que irão melhorar ainda mais os resultados e proporcionar uma maior satisfação no paciente:

- Realizamos 6 peelings de ácido retinóico a 5% de 15 em 15 dias durante os 3 meses de espera, ou pode-se optar por realizar um peeling de ação média tipo TCA a 35 % para melhorar o fotoenvelhecimento do paciente .

- Fizemos o preenchimento dos sulcos nasogenianos do paciente enquanto esperamos a retração dos fios.

- Procuramos indicar mais fios de ouro em pacientes mais jovens. Não deixamos para indicar os fios de ouro em situações que se deveria indicar fios de tração. Nesse caso a associação das duas técnicas é melhor.

- Associe fios de tração junto aos fios de ouro. A quantidade a ser usada de cada um dos dois fios é menor .

COMPLICAÇÕES

As complicações do implante dos fios de ouro são aquelas comuns a todo procedimento ambulatorial médico, como equimose, sangramento, etc. Qualquer outra complicação mais séria fatalmente estará ligada à má técnica, avaliando-se a nobreza do material e às exaustivas publicações ao longo dos 40 anos de implantes de fios de ouro.

1. Equimose

2. Reação inflamatória e endurecimento local

3. Extrusão do fio

4. Granuloma ( ponta do fio que tocou na derme )

5. Infecção ( má- técnica, má- indicação )

BIBLIOGRAFIA

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