
OS ASPECTOS PSICOLOGICOS DA OBESIDADE
Junho 14, 2008OS ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA OBESIDADE
DR HENRI FERNANDO BISCHOFF
Anestesiologista – CREMESC 6284 – CREMERS 18265
Professor do Curso de Pós- Graduação em Medicina Estética pela UIME – Porto Alegre – RS
Mestrando em Educação – CAPES 2006
A obesidade é uma doença reconhecida pela OMS – Organização Mundial de Saúde - caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido gorduroso no indivíduo.
Variados métodos são utilizados para diagnosticar, classificar, estabelecer tratamentos e prognósticos da obesidade. A maioria destes métodos está baseada em critérios científicos e fisiológicos estabelecendo, na maioria das vezes, um tratamento baseado em dados objetivos, desprezando os fatores subjetivos que possam interferir nesses resultados.
O presente trabalho tem por objetivo traçar o perfil psicológico do obeso, seu comportamento compulsivo e , a partir disto, interferir efetivamente no tratamento desta doença.
O PERFIL PSICOLÓGICO DO OBESO:
O obeso típico ou obeso em potencial relata ao médico sua rotina diária e, inconscientemenete, relata um comportamento característico que se repete na grande maioria dos outros obesos.
1) Negação do próprio corpo
2) Racionalização do problema da obesidade
3) Projeção do problema da obesidade
4) Auto estima baixa
5) Carência afetiva
6) Vergonha
7) Exclusão de ambientes sociais
Ressentimento do passado
9) Raiva do presente
10) Medo do futuro
11) Fraca auto confiança
12) Desonestidade
13) Preguiça
14) Insegurança
15) Inveja
16) Auto piedade
17) Falta de perseverança no propósito
18) Imediatismo (resultados rápidos)
19) Extremismo ( executa regimes maiores do que os propostos)
O paciente obeso não gosta de alimentar-se pela manhã ( e ainda considera isso uma virtude!), come pouco no almoço ( come carnes e verduras ), come pouco no trabalho e, no final da tarde e início da noite, ao chegar em casa , esse paciente desencadeia um processo compulsivo de ingesta de farináceos, doces, e outros alimentos que não caracterizam uma refeição equilibrada. Em geral esses pacientes se ocupam muito com os outros tentando ser bonzinhos , gerando mais ansiedade, auto piedade, estresse; culpando seus colegas e/ ou sua família pelo seu comer compulsivo. Os obesos são os mestres da auto justificação. Chegam no nosso consultório e dizem: “Doutor, não sei porque sou gorda… Eu não tomo café-da-manhã, almoço pouco e não janto!!! … O que posso fazer doutor? “
Esse processo compulsivo parece obedecer um ritmo auto determinado de acometer o paciente no período entre 16 às 21 horas em seu ambiente doméstico e não em ambientes do trabalho, estudo ou lazer. Observa-se, ainda, em pacientes do sexo feminino que esse processo compulsivo, preferencialmente, é seletivo, ou seja, o alimento não pode ser uma refeição única, mas sim, lanches e petiscos, pois isso alimenta ainda mais o comportamento compulsivo. Após essa “orgia alimentar” o paciente experimenta um prazer imediato e um remorso tardio. Sente-se culpado. Promete para si mesmo que no outro dia ele vai se controlar e, no outro dia repete tudo de novo… Mais culpa, mais auto estima baixa, mais ansiedade, mais compulsão. Círculo vicioso da auto obsessão compulsiva alimentar.
Na verdade, o paciente obeso não tem o conhecimento que o seu comportamento está determinado pela doença. Aquilo que ele acredita que é seu estilo de vida é repetido pela grande maioria da população obesa. Esse paciente está realizando diariamente o comportamento imposto pela doença compulsiva. Ao aprofundarmo-nos mais nesse determinismo pré-estabelecido constatamos, muitas vezes, que nosso paciente, ao nos pedir ajuda para emagrecer, está pedindo uma ajuda temporária, enquanto suas forças lhe permitem mudar de estilo de vida, até que o processo de recaída mine suas forças e ele passe a abandonar o tratamento paulatinamente. Parece que a “doença permite” a esse paciente, temporariamente, diminuir seus problemas relacionados à obesidade até que ele possa, novamente, voltar ao seu ato compulsivo de comer sem que isso lhe gere sentimento de culpa.
A Recaida:
Após um período breve de alguns meses em emagrecimento o paciente obeso, agora magro, começa a viver uma nova realidade e, se não for trabalhada uma terapia comportamental, começa lentamente um processo de desânimo. Forças contrárias ao tratamento passam a ser valorizadas pelo paciente nessa fase. Exemplos disso são comentários negativos da família, pressão dos amigos, férias de verão, festas, distância geográfica do médico, problemas financeiros, excesso de trabalho, etc. O paciente acha que pode se cuidar sozinho, mas, sem perceber começa a abandonar o médico, depois as caminhadas e por fim a própria dieta. Aquele período pequeno em que ele, sem tratamento, mantém seu peso serve de justificativa para ele não retornar ao médico… e , assim, a recaída está instalada. Alguns meses depois, com o paciente novamente obeso, o sentimento de culpa, remorso, depressão voltam e o paciente inicia o processo novamente de querer emagrecer.
Objetivos do Tratamento:
O principal objetivo do tratamento do paciente obeso é a aceitação do problema. Aceitar que o seu estilo de vida é que está lhe engordando. O paciente nega seu próprio corpo, não se aceita gordo e com isso, não aceita a sua realidade e passa a viver num mundo de sonhos, esperando uma solução mágica para seus problemas: Desde que essa solução não interfira no seu estilo de vida.Precisamos focalizar mais o controle da compulsão alimentar e o equilíbrio das vontades e necessidades do paciente do que somente emagrecer; caso contrário, ao emagrecer o paciente tem a sensação de objetivo cumprido e abandona o tratamento voltando a engordar.
É necessário informar ao paciente que a obesidade é uma doença lenta, progressiva e incurável, sendo imperativo um tratamento para a prevenção da recaída na etapa da manutencão do peso. O tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar composta por médico, psicólogo, enfermeiro, nutricionista, esteticista, assistente social e personal trainer. Um aspecto fundamental que deve ser enfatizado é a necessidade desse paciente participar de um grupo de mútua ajuda para obesos onde ele vai compartilhar suas experiências, forças e esperanças a fim de ajudar a si e a outros obesos a se libertarem das angústias do comer compulsivo . Esse enfoque de tratamento é chamado de “Compreensive Treatment Program”- Programa de Tratamento Abrangente, onde vários profissionais atuam no mesmo paciente com o mesmo objetivo.
O primeiro passo do tratamento é o desejo sincero do paciente de livrar-se do comer compulsivo, o que exige honestidade rigorosa, mente aberta e boa vontade .O obeso necessita aceitar que o seu modo de vida tem que ser modificado. O paciente deve ser estimulado a não fazer promessas irreais ( nunca mais irá engordar) e focalizar objetivos simples e atingi-los. “Não irei dar vazão à minha compulsão e irei me controlar somente hoje”.
Um plano simples e fá cil de ser atingido é o de estabelecer duas metas para hoje: caminhar e jantar. Caminhando hoje, mesmo sem vontade, o paciente começa a colocar o programa em prática. E, ao jantar, ao invés de lanchar o paciente realiza o ritual de sentar-se à mesa e fica com a sensação de não ter que pensar mais em comida ( o que não ocorre quando ele lancha). O ato de jantar influencia o paciente a não beliscar, e, assim, não dá vazão à compulsão.
Os pacientes que com mais facilidade se mantém magros são aqueles que perderam grandes quantidades de peso ( 20 kg ou mais), pois foram os que mais sofreram com as angústias da obesidade e observaram uma melhora do seu estilo de vida mais significativa. Os pacientes que perdem até 6 kg, aproximadamente, apresentam mais recaídas de comportamento, pois, estão ainda na fase inicial da doença e a negação do problema é maior. Suas vidas não foram afetadas de forma tão dramática pela obesidade como para os grandes obesos, não sofreram bastante a ponto de desejarem sinceramente mudar de vida.
Por fim, nós profissionais também temos que admitir a nossa impotência perante a obesidade e aceita-la como uma doença poderosa e passível apenas de controle, e não de cura. E, como esse controle depende principalmente do paciente, ao depararmo-nos com a recaída deste, nossa onipotência como médicos sofre e nos sentimos derrotados. Devido a isto, precisamos também de ajuda para lidarmos com essa doença e, desta forma, ajudarmos mais aquele paciente que volta ao nosso consultório novamente obeso.


Esse texto…excelente!! Dá até uma dorzinha no peito, a aceitação é a fase mais difícil. Realmente é uma batalha, lenta e impaciente, mas indispensável. O cérebro é tudo na nossa vida, concordo que com a eliminação de até 6 kg as chances de recaídas são muito grandes. Parabéns…e força para todos nós, que sofrem dessa doença.
ola! tenho 31 anos e desde que tie meu terceiro filho tudo que tenho feito e perder 8 quilos e ganhar 9, perco novamente 8 e ganho 9 de volta,nao consigo mais fazer dieta sem medicaçao, tenho uma ansiedade em tudo que faço sou muito nervosa e asta algo dar errado que a ontade que tenho de me acabar de tanto comer, ai choro por ter comido tanto entao fico me imaginando como seria ter novamento os meus 56 kilos, ja que nos dias de hoje me encontro com 75 kilos com 1,65 altura, tenho vergonha de mim, nao saio de casa para nada, quando um dos meus filhos por algum motivo precisam ser medicados ou uma reuniao de escola arrumo 1000 motivos para nao poder ir e passar a responssabilidade para meu marido ou alguem de minha familia, sofro por isso me sinto horrorosa e nao me aceito gorda, mas quando penso em mudar de vida tenho medo, nao sei porque mas me sinto como se estivesse condenada a morte, tudo isto me faz sofrer muito ate mesmo meu comportamento com os meus familiares, se emagreço tenho uma vontade de ser feliz se estou gorda me sinto inferior a tudo e a todos, tenho ergonha de minha pessoa do meu corpo, e se tomo medicamento parece que é um pilar para eu escorar diante da minha caminhada, mas ultimamente o m,edicamento que tomo nao faz mas efeito, tomo fluxetina e sibutramina, mas na verdade nao faz mas efeito , por favor me diga como começar ser gorda me deixa sem vontade de viver sempre fui muito vaidosa e nao consigo conviver com o meu corpo. obrigada
Saney, após a gravidez ficamos com o metabolismo mais lento. Você deve procurar ajuda profissional para seu caso. Boa sorte! Dr Henri
Olá Saney, como vc está se sentindo? Vc está seguindo minha dieta?
att.
Dr Henri
Bom queridos,realmente é uma doença que eu considero penosa, tanto porque eu também sofrí com isso e como foi sitado é preciso de 100% de cooperação da pessoa. Acredito que o que falta muito as pessoas além de estima, é informação, pois conheci uns produtos nutricionais que nutrológos renomadíssimos como David Heber por exemplo e Louis Ignarro que ganhou o premio nobel de medicina, assinam os produtos e ajudam na fabricação de suas fórmulas.Tem me feito um bem enorme na saúde e já me fez reduzir muito peso,tem amigos que´já reduziram + de 70 kg e com muita saúde. Quem sofre com esta doença e realmente quer ajuda procure a HERBALIFE! Conhecí médicos que não indicavam os produtos com medo de perder os pacientes,se a intenção é ajudar as pessoas de verdade por que vcs não recomendam????calianevasconcelos@hotmail.com
Caliane, não apoiamos e nem somos contra qualquer tratamento para a obesidade. A intenção do blog é discutir problemas relacionados à obesidade. Nossa intenção é tentar ajudar as pessoas a descobrir seu próprio caminho na solução deste problema. Se você gostou do método nutricional citado, muito bem, continue praticando o mesmo. Boa Sorte! Dr Henri
Queria agradecer por esse texto maravilhoso,sou obesa e sofro cada dia com os males dessa doença ,que a cada dia me afoga num mar de sofrimento.Espero que muitos obesos tambem vejam esse texto e se coloquem a pensar mais sobre o estilo de vida que levam.
tenho 38 anos fui gorda por muito tempo e agora emagreci gostaria de saber quanto tempo leva para meu peso estabilizar???
Fabyula, o tempo mínimo para estabilização é 2 anos.
abraço
Henri